Finalistas 2002
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Finalistas 2002
MELHOR LONGA DOCUMENTÁRIO
MELHOR DIREÇÃO
MELHOR ATRIZ
MELHOR ATOR
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
MELHOR ATOR COADJUVANTE
MELHOR DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA
MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
MELHOR ROTEIRO
MELHOR MONTAGEM
MELHOR SOM
MELHOR EDIÇÃO DE SOM
MELHOR TRILHA SONORA
MELHOR CURTA
MELHOR LONGA ESTRANGEIRO

MELHOR LONGA DE FICÇÃO

BICHO DE SETE CABEÇAS

Direção: Laís Bodanzky
Produção: Sara Silveira, Caio Gullane, Fabiano Gullane, Luiz Bolognesi, Marco Müller
Roteiro: Luiz Bolognesi
Fotografia: Hugo Kovensky
Montagem: Jacopo Quadri, Letizia Caudullo
Direção de arte: Marcos Pedroso
Trilha sonora: André Abujamra
Som direto: Romeu Quinto
Edição de som: Sílvia Moraes
Elenco: Rodrigo Santoro, Othon Bastos, Cássia Kiss, Daniela Nefussi, Jairo Mattos, Altair Lima, Linneu Dias, Caco Ciocler, Gero Camilo, Marcos Cesana e outros.

Como um choque. Assim chegou ao público este drama sobre um jovem de subúrbio paulista que desce ao inferno de um manicômio depois que o pai encontra um cigarro de maconha no bolso de sua camisa. Baseado nas experiências reais do escritor Austregésilo Carrano, Bicho de Sete Cabeças é um filme jovem, moderno e contundente que expõe, de uma só tacada, a intolerância familiar, a sordidez do sistema psiquiátrico e a hipocrisia da sociedade diante das drogas. Mas é também uma história de superação, amadurecimento e transformação. O estilo fortemente documental, o ritmo ágil e o acabamento primoroso tornaram o filme um depoimento urgente sobre a realidade brasileira, embora atravessado por um acento kafkiano e universal. A produção contou com um aporte italiano na montagem e finalização. Conquistou quase 30 prêmios em festivais no Brasil e na Europa.

 

BUFO & SPALLANZANI

Direção: Flávio R. Tambellini
Produção: Flávio R. Tambellini, Andrucha Waddington
Roteiro: Flávio R. Tambellini, Patrícia Melo, Rubem Fonseca
Fotografia: Breno Silveira
Montagem:
Sérgio Mekler
Direção de arte: Gualter Pupo Filho
Trilha sonora: Dado Villa-Lobos
Som direto:
Felix Andrew
Edição de som: Anne Pope, Branka Mrkic, Eric Offin, Tom Paul
Elenco: José Mayer, Tony Ramos, Isabel Guerón, Zezé Polessa, Gracindo Jr., Maitê Proença, Matheus Nachtergaele, Juca de Oliveira, Milton Gonçalves, Otávio Augusto e outros.

Veneno de sapos, catalepsia profunda, mandingas, corrupção e referências a Nietzsche e Macbeth convivem muito bem neste policial baseado no romance homônimo de Rubem Fonseca. Estréia mais que auspiciosa de Flávio R. Tambellini na direção de longas-metragens, Buffo & Spallanzani movimenta uma trama requintada em torno de um crime na alta sociedade e de um investigador de seguros que muda de identidade e se transforma em escritor de sucesso. Com uma profunda compreensão da narração em dois tempos, o filme se destacou também pelo profissionalismo de elenco e equipe técnica, revelando um cuidado exemplar em cada detalhe da concepção, da filmagem e do acabamento de primeira. Um novo referencial de qualidade para o recente revival do filme policial brasileiro.

 

DOMÉSTICAS – O FILME

Direção Fernando Meirelles, Nando Olival
Produção Andréa Barata Ribeiro, Bel Berlinck
Roteiro Cecília Homem de Mello, Fernando Meirelles, Nando Olival, Renata Melo
Fotografia Lauro Escorel (ABC)
Montagem Déo Teixeira
Trilha sonora André Abujamra
Som direto Guilherme Ayrosa
Edição de som Miriam Biderman
Elenco Claudia Missura, Graziella Moretto, Lena Roque, Olívia Araújo, Renata Melo, Robson Nunes, Tiago Moraes e outros.

Original, moderno e revelador, Domésticas – O Filme trouxe ao primeiro plano um tipo de personagem que normalmente povoa as bordas da imagem dos filmes. A teia de histórias, baseada na peça homônima de Renata Melo, enfoca os grandes sonhos e pequenas ambições de algumas empregadas domésticas, o desejo de ascensão na hierarquia da própria classe, as relações nem sempre solidárias entre empregadas, porteiros, motoboys etc. Sem proselitismo político nem exploração ofensiva, a comédia trata suas personagens não como meros excluídos, mas como seres desejantes, com um imaginário próprio. A conjunção de vários estilos e o trabalho inspirado com um elenco semi-profissional valeram aos diretores Fernando Meirelles e Nando Olival uma entrada com o pé direito na direção de longas-metragens.

LAVOURA ARCAICA

Direção, Roteiro e Montagem Luiz Fernando Carvalho
Produção Videofilmes, Luiz Fernando Carvalho, Raquel Couto, Maurício Andrade
Fotografia Walter Carvalho
Direção de arte Yurika Yamasaki
Trilha sonora Marco Antonio Guimarães
Som direto Márcio Câmara
Edição de som Roberto Ferraz, Rodrigo Noronha, Luiz Fernando Carvalho
Elenco Selton Mello, Raul Cortez, Juliana Carneiro da Cunha, Simone Spoladore, Leonardo Medeiros, Caio Blat, Mônica Nassif, Christiana Kalache, Renata Rizek e outros.

Uma família de imigrantes árabes no interior do Brasil é abalada por uma paixão incestuosa. André, o filho mais novo, é convencido a voltar para casa após um período de auto-exílio, confronta os ensinamentos rigorosos do pai e vê sua atração pela irmã precipitar uma tragédia. Uma visão pelo avesso da parábola do filho pródigo, cujo destino vai tangenciar as grandes ameaças à catedral familiar: incesto, prostituição, homossexualismo. Essa transposição para as telas do romance homônimo de Raduan Nassar, atenta ao universo panteísta do autor, gerou um filme sob todos os aspectos extraordinário. A sublime harmonia entre textos, imagens, interpretações e música arrebatou as emoções do público e valeu a Lavoura Arcaica uma pletora de prêmios em festivais no Brasil e no exterior.

 

O XANGÔ DE BAKER STREET

Direção Miguel Faria Jr.
Produção Bruno Stroppiana
Roteiro Patrícia Melo, Miguel Faria Jr.
Fotografia Lauro Escorel (ABC)
Montagem Diana Vasconcellos
Direção de arte Marcos Flaksman
Trilha sonora Edu Lobo
Som direto Jorge Saldanha
Edição de som Miriam Biderman
Elenco Joaquim de Almeida, Anthony O'Donnell, Maria de Medeiros, Letícia Sabatella, Cláudia Abreu, Marco Nanini, Cláudio Marzo, Marcello Antony, Caco Ciocler, Roberto Bonfim, Jô Soares e outros.

No ano da graça de 1886, num Rio de Janeiro que ainda não tinha decidido por quem se deixar colonizar, Sherlock Holmes, o “caro” Watson, Sarah Bernhardt e Jack, o Estripador vivem uma trama burlesca e intercultural. As mentiras históricas de O Xangô de Baker Street desceram redondas do best-seller de Jô Soares para o filme de Miguel Faria Jr. Valores artísticos e de produção conjugaram-se numa comédia inteligente, que se baseia tanto em gags visuais quanto na confusão de idiomas e sotaques da Belle Époque carioca. Dentro de uma magnífica reconstituição de época, um elenco carismático e bem escalado deu corpo e alma a esta sátira pós-moderna que dignificou a capacidade de realização do cinema brasileiro, aqui em regime de co-produção com Portugal.



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