| Finalistas 2002 |
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Página 1 de 16 MELHOR LONGA DE FICÇÃO BICHO DE SETE CABEÇAS Direção: Laís Bodanzky Como um choque. Assim chegou ao público este drama sobre um jovem de subúrbio paulista que desce ao inferno de um manicômio depois que o pai encontra um cigarro de maconha no bolso de sua camisa. Baseado nas experiências reais do escritor Austregésilo Carrano, Bicho de Sete Cabeças é um filme jovem, moderno e contundente que expõe, de uma só tacada, a intolerância familiar, a sordidez do sistema psiquiátrico e a hipocrisia da sociedade diante das drogas. Mas é também uma história de superação, amadurecimento e transformação. O estilo fortemente documental, o ritmo ágil e o acabamento primoroso tornaram o filme um depoimento urgente sobre a realidade brasileira, embora atravessado por um acento kafkiano e universal. A produção contou com um aporte italiano na montagem e finalização. Conquistou quase 30 prêmios em festivais no Brasil e na Europa.
BUFO & SPALLANZANI Direção: Flávio R. Tambellini Veneno de sapos, catalepsia profunda, mandingas, corrupção e referências a Nietzsche e Macbeth convivem muito bem neste policial baseado no romance homônimo de Rubem Fonseca. Estréia mais que auspiciosa de Flávio R. Tambellini na direção de longas-metragens, Buffo & Spallanzani movimenta uma trama requintada em torno de um crime na alta sociedade e de um investigador de seguros que muda de identidade e se transforma em escritor de sucesso. Com uma profunda compreensão da narração em dois tempos, o filme se destacou também pelo profissionalismo de elenco e equipe técnica, revelando um cuidado exemplar em cada detalhe da concepção, da filmagem e do acabamento de primeira. Um novo referencial de qualidade para o recente revival do filme policial brasileiro.
DOMÉSTICAS – O FILME Direção Fernando Meirelles, Nando Olival Original, moderno e revelador, Domésticas – O Filme trouxe ao primeiro plano um tipo de personagem que normalmente povoa as bordas da imagem dos filmes. A teia de histórias, baseada na peça homônima de Renata Melo, enfoca os grandes sonhos e pequenas ambições de algumas empregadas domésticas, o desejo de ascensão na hierarquia da própria classe, as relações nem sempre solidárias entre empregadas, porteiros, motoboys etc. Sem proselitismo político nem exploração ofensiva, a comédia trata suas personagens não como meros excluídos, mas como seres desejantes, com um imaginário próprio. A conjunção de vários estilos e o trabalho inspirado com um elenco semi-profissional valeram aos diretores Fernando Meirelles e Nando Olival uma entrada com o pé direito na direção de longas-metragens. LAVOURA ARCAICA Direção, Roteiro e Montagem Luiz Fernando Carvalho Uma família de imigrantes árabes no interior do Brasil é abalada por uma paixão incestuosa. André, o filho mais novo, é convencido a voltar para casa após um período de auto-exílio, confronta os ensinamentos rigorosos do pai e vê sua atração pela irmã precipitar uma tragédia. Uma visão pelo avesso da parábola do filho pródigo, cujo destino vai tangenciar as grandes ameaças à catedral familiar: incesto, prostituição, homossexualismo. Essa transposição para as telas do romance homônimo de Raduan Nassar, atenta ao universo panteísta do autor, gerou um filme sob todos os aspectos extraordinário. A sublime harmonia entre textos, imagens, interpretações e música arrebatou as emoções do público e valeu a Lavoura Arcaica uma pletora de prêmios em festivais no Brasil e no exterior.
O XANGÔ DE BAKER STREET Direção Miguel Faria Jr. No ano da graça de 1886, num Rio de Janeiro que ainda não tinha decidido por quem se deixar colonizar, Sherlock Holmes, o “caro” Watson, Sarah Bernhardt e Jack, o Estripador vivem uma trama burlesca e intercultural. As mentiras históricas de O Xangô de Baker Street desceram redondas do best-seller de Jô Soares para o filme de Miguel Faria Jr. Valores artísticos e de produção conjugaram-se numa comédia inteligente, que se baseia tanto em gags visuais quanto na confusão de idiomas e sotaques da Belle Époque carioca. Dentro de uma magnífica reconstituição de época, um elenco carismático e bem escalado deu corpo e alma a esta sátira pós-moderna que dignificou a capacidade de realização do cinema brasileiro, aqui em regime de co-produção com Portugal. |
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